segunda-feira, 25 de julho de 2016

Catarinas por um jornalismo com perspectiva de gênero

Foto: Dieine Andrade
Um portal de notícias voltado à abordagem de gênero, feminismos e direitos humanos está prestes a ser lançado em Santa Catarina. Financiado coletivamente na plataforma Catarse, Catarinas entra na rede a partir do dia 28 de julho, uma quinta-feira, quando será oficialmente ​​apresentado ao público na Fundação Cultural Badesc, no centro de Florianópolis/SC. Acesse o evento.

Cobertura do ato "Por todas Elas"
O evento começa às 19h e tem como atrações as cantoras Dandara Manoela e Renata Swoboda, que fazem uma apresentação de voz e violão​;​ o Coletivo Nega - Negras Experimentações Grupo de Artes, com intervenções artísticas do espetáculo Preta-à-Porte​r, a DJ Alexandra Peixoto e exposição digital das obras da artista plástica Pati Peccin​. ​Na oportunidade, a cantora Renata Swoboda vai lançar uma música inédita com letra da escritora Clara Baccarin.

A história de Catarinas, projeto para a criação de portal de jornalismo especializado, começou a ser escrita nas atividades do “Março é Delas”, alusivas à luta histórica das mulheres por direitos, com o lançamento em 8 de março da campanha de financiamento coletivo.

Ato Março é Delas 
Foram 40 dias de campanha com o envolvimento de mais de 160 pessoas que apoiaram o projeto no Catarse e tantas outras contribuíram com sua arte, trabalho e mobilização em rede. O destaque ficou por conta do apoio de artistxs plásticxs e fotógrafxs, por meio da doação de obras, ampliando a mobilização e, consequentemente a arrecadação, com a ação “Leilão virtual Catarinas”. A arrecadação de R$ 16.985 gerou renda direta e indiretamente para cerca de 20 pessoas.

Desde a criação da página na rede social e publicação do blog somosmuitas.blogspot, Catarinas vem atuando com curadoria de informações, produção de conteúdo regional e observatório dos debates públicos sobre o tema, como se propôs no projeto inicial. Agora com o portal, a atividade toma outra dimensão. Trata-se de uma iniciativa inédita que desponta Santa Catarina no jornalismo especializado nessas temáticas. 

Segundo a jornalista Paula Guimarães, a receptividade imediata ao projeto mostra a força da demanda social por um jornalismo que promova a reflexão sobre os papéis de gênero, construídos de modo a subjugar as mulheres e o feminino. “O feminismo traz a perspectiva dos direitos humanos em várias dimensões, desnudando as camadas de opressão, social, étnica e de gênero. É uma especialidade que confronta a cadeia de privilégios daqueles que mantém a lógica patriarcal e capitalista”, afirma a jornalista.

Noite Cultural Catarinas 
A jornalista Clarissa Peixoto defende que todo jornalismo responsável deveria se pautar pela perspectiva de gênero, o que não significa comprometer a isenção e a "imparcialidade", mesmo que essa última seja objeto de controvérsias. “Catarinas faz jornalismo com perspectiva de gênero para trazer à tona temas e personagens sociais invisibilizados pelo pensamento hegemônico, presente na mídia tradicional. Buscamos o contraditório ao que chega às casas das pessoas cotidianamente”, pontua. 

​​Também integram a equipe do portal as jornalistas Ana ​Claudia ​Araujo e a estudante de Ciências Sociais, Kelly Vieira. O conselho editorial é composto por mulheres de campos de atuação diversos: Clair Castilhos, do​s debates pelos​ direitos sexuais e reprodutivos​; Cristiane Mare da Silva​, do movimento de mulheres negras; Guilhermina Ayres, da pauta LBGT; Lilian Rossi, do Programa Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde; e a antropóloga Mônica Siqueira. A mídia digital conta ainda com colunistas como Carla Salasário Ayres, doutoranda em Ciência Política, e Monique Prada da Central Única das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sexo (Cuts).

Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: entrevista com Jeruse Romão





Por Cristiane Mare*, colunista Catarinas.

Hoje, 25 de julho, é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Comemorar essa data é nos permitir o não esquecimento, é reinstaurar nomes, memórias, movimentos e atividades intelectuais, de corpos silenciados, pois nos educaram na crença que não possuímos contribuições na construção cultural e social de nossa sociedade branca e patriarcal. Nessa incessante exploração de mulheres e homens brancos que nos desejam mudas e intimidadas, pois assim torna-se mais fácil a tarefa da tradução e representação.  E do enfrentamento aos homens negros, pois nem todos foram capazes de compreender que a liberdade da qual incessantemente buscamos, só poderá ser alcançada diante uma humanidade partilhada. Diante este contexto se faz necessário, evidenciar e negritar as contribuições de nossas mulheres, representá-las, pois na medida que habilitamos essas vozes asfixiadas, refutamos a memória coletiva do não lugar das mulheres negras, de um imaginário que nos coloca universalmente dentro do inenarrável, assim como a constante emergência de avançarmos e pontuarmos nossas agendas em torno de políticas públicas. Desse modo, entrevistamos a professora mestra Jeruse Romão, militante histórica da luta pela emancipação da população afrodescendente, nas palavras da professora Jeruse: "Ser militante não é elogio. É necessidade de impor-se diante das desigualdades com as quais nunca me conformei." 

Professora Jeruse Romão, recentemente pesquisando sobre biografias  percebi, o quanto o passado e o presente dialogam continuamente, isso parece ser seu caso. Desse modo, conte-nos um pouco sobre você, e seu contexto histórico e social?
E muito! Nasci no ultimo mês de 1960. Experimentei viver a juventude   entre as efervescentes décadas de 1970 e 1980. Culturalmente era outra Florianópolis, especialmente para a população negra que ainda mantinha muito de seu legado cultural preservado e seus territórios também. Pude conviver com pessoas negras da geração anterior e com seus conteúdos de referência para a educação, a cultura, a religião (Umbanda). Pude conviver com pessoas brancas com quem estudei e que desejavam outra sociedade. Fui a primeira universitária da minha família, fiz pedagogia na Faculdade de Educação da UDESC. Tive acesso a leituras fundamentais para que me fizessem entender que aquilo que estava dentro de mim encontrava pares, milhares deles, aqui fora. Eu nasci do jeito que sou hoje. Ser militante não é elogio é necessidade de impor-se diante das desigualdades com as quais nunca me conformei. (Quando criança, eu sempre torcia pelos indígenas nos filmes da sessão da tarde ). Hoje eu quero que a juventude negra não se desconecte do passado. Passado não é só a escravidão. Passados são os conteúdos das gerações pós- escravidão que nos mantiveram ligados enquanto grupo e identidade. Eu quero que lembremos dos/as pioneiros/as. Dos que atravessaram as barreiras que a Casa Grande gostaria de manter perpetuada como linha de nossa imobilidade. O meu contexto é pontuado por muitos olhares e experiências com os espaços da cidade. 

A senhora é bastante reconhecida em sua atuação na educação. Fazendo-nos lembrar de ícones muito importantes para a educação e para a melhoria de vida da população afrodescendente, como a professora e deputada Antonieta de Barros, a professora Maria Laura de Joinville, a Clotilde Lalau da cidade de Criciúma, e mais recentemente as fundadoras da Associação de mulheres negras- Antonieta de Barros (AMAB). Portanto, o que lhe fez optar por esse caminho?
Obrigada pela deferência. Minha mãe, Zulma Silva Romão foi professora e das boas. Quando lecionou no MOBRAL nos levava a noite com ela como companhia. E eu me via pegando na mão dos adultos que ela alfabetizava para ensinar-lhes as letras. Eu tinha nove anos. Tudo o que eu aprendi na educação, como professora, acadêmica e pensadora iniciou-se ali. Minha mãe foi discípula de Antonieta de Barros. Tive uma irmã, falecida, com esse nome, tamanha a admiração de minha mãe por essa professora. Sou herdeira desse legado. Minha tia Valdionira, da AMAB foi professora. E foram professoras imbuídas de muito compromisso para com seus alunos e suas alunas, brancos e negros e, sobretudo, com os/as filhos/as dos/as trabalhadores/as. Estudei em uma escola cuja diretora foi outra Amabiana, Dona Uda Gonzaga. Educação para essas mulheres significava compromisso para a emancipação. Aprendi lições importantes e definitivas com elas. Com essas mulheres negras. Nunca desisti de ser mediadora e de conduzir nosso povo ao acesso de seus direitos. Na câmara de vereadores, assessorando o vereador Márcio de Souza, pesquisei e formatei o projeto de lei que tornou obrigatório o ensino de conteúdos afro-brasileiros nas escolas do município de Florianópolis. Desejei que a escola compreendesse que a nossa ausência, fisicamente e através de seus conteúdos nunca a fariam igualitária. Faço parte da geração dos primeiros negros/as brasileiras que instituiu essa política em âmbito regional, até que chegássemos a Lei 10.639/03. Desafiamos muitos contextos. Os conservadores não desejavam esse conteúdo porque diziam que éramos todos iguais diante da lei ou “ diante de Deus”. A esquerda dizia que o problema era de classe. Mas como o poder transforma, tínhamos um vereador e essa condição construída por nós negros/as impôs um exercício de mudanças em Florianópolis e nos tornamos conhecidos e reconhecidos nacionalmente.

A senhora, junto com a Profa. Dra. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, assim como Amauri Mendes Pereira, são intelectuais que compõe, o campo denominado pensamento negro sobre educação. Comente-nos um pouco das contribuições desse campo de estudos para a educação brasileira.
A categoria “ Pensamento Negro em Educação” foi cunhada pela Profa. Dra.  Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, à época, professora da UFSCAR. Eu era coordenadora do Programa de Educação de uma entidade negra ainda atuante aqui em Florianópolis, o Núcleo de Estudos Negros (NEN) e na época eu já trazia discussões sobre a História da Educação do Negro (tema que organizei em um livro em 2005, pelo MEC) e sobre a necessidade de se pensar que os modelos e estruturas de pensamento do universo branco não poderiam ser simplesmente reproduzidos. Que a epistemologia negra precisaria ser exercitada. Eu lia Frantz Fanon, Gramsci, Steve Biko. O NEN contava com quadros negros e jovens muito ativos- Lino Peres, Paulino Cardoso, Ivan Lima, Dora Lucia Bertúlio, Aloisio dos Reis, Nara Nascimento, Maritza Oldremann, Marcio de Souza, os/as fundadores/as, e depois João Carlos Nogueira- que com trajetórias acadêmicas muito bem-sucedidas, traziam para o grupo um arcabouço que nós, jovens intelectualizados/as sabíamos aplicar nos nossos discursos e formulações teóricas e políticas. Eu sempre cuidei do campo da educação. Como disse antes, eu nasci nele. No início esse campo foi pouco visto... sabe né, educação não tinha status e era coisa de mulher. Tudo convergia para se pensar, na lógica da política, como uma área de pouco prestigio diante das outras. Mas não é que acabou virando carro chefe da organização?  Eu, Ivan Lima e Sonia Silveira saímos a campo para fundamentar a ideia de que existe um pensamento branco, um pensamento indígena e um pensamento negro, se você considerar as três matrizes fundantes do Brasil. Não considerar isso é, como diz Jayro de Jesus, consolidar o eurocentrismo e adotar o epistemicídio como método. Frantz Fanon pergunta, nos condenados da Terra: “o que  pensa o homem? O que pensa o homem negro”? Foram essas perguntas que me balizaram. Fomentar, perguntar e responder o que pensam os negros e as negras sobre a educação. Ai está pois, a essência do pensamento negro em educação no Brasil.. pensamentos na verdade, escolas teóricas e metodológicas das mais diversas, tais quais as das etnias brancas e indígenas.

Tenho visto, que a senhora há bastante tempo vem atuando em defesa ao desenvolvimento de políticas públicas para as mulheres negras. Assim, por que nunca optou, pelo feminismo negro?
O campo da educação me absorveu por demais e ele sempre teve como sujeitos as mulheres, de todas as etnias, classes sociais e formação acadêmica. Eu sempre estive antenada com as pautas das mulheres negras e seu percurso de trânsito ideológico... do nascer da pauta para as mulheres negras até a pauta para a consolidação do feminismo negro. Eu penso que na verdade, sempre me coloquei como feminista. Fiz escolhas feministas o tempo todo. Lutei para que não nos chamássemos de “tia” nas escolas, lutei para que as mulheres nas nossas organizações negras fossem dirigentes. Eu nunca fui coordenadora do NEN. Nunca me deixaram. Me desliguei da organização também por causa disso. Fui eu quem trouxe o maior financiamento para o NEN por causa da educação- o da Fundação FORD- mas nunca fui coordenadora. Eu criei um coletivo de mulheres negras no NEN que foi extinto pelos homens como uma ameaça a seu status de comanda, como se significasse o enfraquecimento de seus poderes. Eu não tinha pauta certa. A conjuntura era a determinante. Não é como hoje que temos pautas.  Eu era feminista sendo eu. Lutando contra a dominação masculina em todos os contextos. Eu fui feminista, quando engravidei, tive filho e com quarenta dias de parida voltei para as minhas funções de chefe de gabinete na Câmara. Minha mãe cuidou de meu filho. Meu ex-marido apoiou, as mulheres brancas repudiaram dizendo que eu estava quebrando a interpretação de que teria o direito legal de uma licença maternidade de 120 dias, que isso era contra o movimento.  O Márcio de Souza quando me viu no gabinete, me disse: “ Mulher o que estas fazendo aqui?”. Eu voltei para cuidar da agenda política que envolvia os direitos da população negra da cidade. As mulheres brancas não entendiam que muitas negras faziam e fazem a mesma coisa.  Você diria que a Antonieta de Barros não foi feminista mesmo que no tempo dela não se formulassem teorias feministas? Óbvio que tínhamos uma cultura que gostaria que você observasse, a minha geração intencionalmente não ia ao salão de beleza, não pintava unhas, algumas não se depilavam e usávamos roupas que não demonstravam as nossas formas físicas como forma de afirmação de que não éramos, as mulheres, corpos consumíveis.  Estava pensando nisso agora. Óbvio que isso não é conteúdo para falar do feminismo da forma como o pensamos hoje... mas me lembro que tínhamos posição de sermos aceitas pelo nosso conteúdo e não pela nossa “ bonequisse” burguesa. Meu Deus, eu tinha pernas e axilas tão cabeludas que dariam inveja às sobrancelhas de Frida Khalo! Hahaha... O que eu quero dizer é..se a história é evolutiva, qual seriam os caminhos históricos de nosso feminismo? Seriam somente os teóricos? Os culturais de cada geração e grupo étnicos não deveriam ser levados em conta? 

No atual momento político, percebemos que a luta de 30 anos de defesa e desenvolvimento da democracia, foram riscados em algumas semanas do governo Temer, e outros estão sendo eliminados. Recentemente a senhora contribui para a realização da Marcha da Negritude, como observa o desafio dos movimentos sociais, em especial o movimento negro?
Estou desolada. Mais nenhum direito se encerra. O Lula e a Dilma, se cruzarmos os mapas regionais e étnicos, saberemos, foram eleitos pelas regiões mais pobres e menos brancas do Brasil. Olhe o mapa e veja. Foi assim. A resistência contra a Dilma está alinhada aos movimentos de brancos, de direita, da Europa. Todos contra os direitos e a cultura do que não é branco (na educação, na religião, nos direitos humanos, entre outros).  Contudo, as lideranças de resistência não fazem essa leitura. A Marcha da negritude mostrou isso (Temos uma carta manifesto).   Eventos acadêmicos não impedem a policia de atacar meus universitários negros, minhas universitárias negras. Voltamos ao debate inicial. Classe ou raça? Fizemos uma Marcha num sábado. Por que era a Marcha do proletariado negro. Marcha da folga dos dias do trabalho. Quem foi? Quem foi? Choveu.. o dia foi chuvoso.. tivemos quase mil negros..fazer manifestação num dia de semana e dizer que não vamos é fácil..ainda somos a ponta da mão da limpeza.. da dependência do salário.  Mas fizemos no dia da folga dos operários negros, das operárias negras... E não vimos os brancos e as brancas livres caminhando conosco. Não sei como é isso não. Tenho 55 anos e quase não durmo. Tenho um celular velho que dorme comigo. Eu durmo com Fanon, com a carta que o Nogueira fez para a Marcha, com os Whats dos meus filhos e com as mídias do  movimento negro. Durmo pronta para levantar e correr. O nosso povo é proletário/a. Achei bonito eles e elas na Marcha. Poucos/as de nós somos liberados/as para fazer ou dizer o que pensamos. Eu sou liberada por minha consciência. E pago um preço bem caro por isso. No futuro quero o  povo preto livre para lutar, mas  que não seja escravo como eu, que não tem um trabalho político para reafirmar seu discurso e pagar suas contas no final do mês. Axé!


Cristiane* é mestra pela PUC/SP em História Social e graduada em Letras Português - Espanhol, pela Unioeste (Universidade estadual do oeste do Paraná).Atua como pesquisadora associada no Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina e no grupo de estudos Cecafro da PUC/SP. Trabalha com a formação de professores para a Educação das Relações Étnico Raciais (ERER). É secretária de mulheres da UNEGRO (União de negras e negros pela igualdade) e integrante do Coletivo de mulheres negras: Pretas em Desterro.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Catalãs lésbicas e solteiras terão acesso gratuito a reprodução assistida

Dia do Orgulho Gay em Barcelona, 2014/El País

A Catalunha, comunidade autônoma da Espanha, vai estender às mulheres solteiras e lésbicas o direito a inseminação artificial. Atualmente, apenas as catalãs heterossexuais e casadas tem acesso ao benefício oferecido pelo sistema público. O anúncio foi feito pelo Ministro Toni Comín à imprensa local.

A inclusão das mulheres lésbicas é uma bandeira dos movimentos LGBTs locais desde 2013, quando o programa foi criado. À época, a então ministra da Saúde, Ana Mato, do conservador Partido Popular, negou o benefício e declarou que não considerava "a falta de um homem como um problema médico".

Nomeado em janeiro deste ano, o atual ministro socialista Toni Comín é gay, cristão, e tem uma filha adotiva com seu companheiro.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Por que ainda estamos lutando pela amamentação?


A denúncia de uma mãe que sofreu constrangimento ao amamentar seu bebê num shopping center em Lages, na serra catarinense, gerou reação da comunidade. Como resposta, diversas mães ocuparam a mesma praça de alimentação para um mamaço, no domingo, 17 de julho. O shopping lageano acolheu o protesto das mães, declarando apoio à causa. Até por que há uma lei recente que garante o direito ao aleitamento em locais públicos. Mas por que uma prática tão antiga e natural quanto a necessidade humana de alimentar-se ainda é uma pauta tão contemporânea? 



O debate é recorrente nas rodas de conversa e nos espaços de convivência do coletivo “Mães in Verso”, que organizou o mamaço. “A maioria das mães já passou por algum momento constrangedor ao amamentar em público. Algum comentário, um olhar de reprovação, uma sugestão de cobrir a mama ou até mesmo um convite a amamentar em outro local”, afirma a consultora em amamentação, doula pós-parto e integrante do grupo, Anelise Wendhausen Claudino.  

A denúncia pública gerou a oportunidade para levar a discussão ao público. “Passamos nossa mensagem à sociedade e às mães que amamentam: chega de constrangimento! Amamentar é natural”, publicou o grupo na sua fanpage do Facebook. O shopping lageano também se manifestou, classificando o caso como fato isolado, e procurou se retratar. “Somos parceiros e estamos engajados nessa luta”, declarou a assessoria de imprensa.


O aleitamento materno é assegurado pela Lei Estadual 16.396, em vigor desde 04 de junho 2014. A lei, proposta pela então deputada estadual Angela Albino, prevê multa para os estabelecimentos comerciais que impedirem o direito da amamentação. Cada infração registrada custaria R$ 2 mil, valor que dobra a cada reincidência até o limite de R$ 40 mil. “Nos sentimos entristecidas por termos que recorrer a uma lei para ter este direito garantido e ao mesmo tempo contentes pela sensibilidade e sensatez de quem a criou e aprovou”, afirma Anelise.

Amamentação e controle do corpo feminino
Para a doula Gabriela Zanella, a amamentação é mais um processo fisiológico feminino que a sociedade transforma em polêmica, como o parto, a menopausa, o período menstrual e a sexualidade.  “A mulher é sempre vista como alguém que tem um defeito, que precisa de correção o tempo todo, incompleta. Assim, o parto vira um processo cirúrgico, a menopausa é um ‘prazo de validade’, a menstruação é algo que atrapalha a vida e não serve pra mais nada, a TPM transforma as mulheres em loucas que precisam ser controladas”, analisa.

A amamentação também é tabu sob a perspectiva de que o corpo feminino é moldado em função do prazer sexual masculino. Expor o seio para alimentar o bebê é considerado moralmente agressivo.

 “Muitas mulheres estão acostumadas a terem seus corpos controlados e suas atitudes julgadas. Ainda é senso comum que a mulher que faz isso ‘pra se exibir’. Perguntam se ‘custa cobrir com um paninho’, ‘ir pra um cantinho", ‘dar o peito antes de sair de casa’”, exemplifica.

Diante deste contexto, a lei estadual dá visibilidade ao tema e procura convencer a sociedade do que parece óbvio: é preciso garantir o direito básico da mulher de amamentar seu filho em público. “A lei ajuda as mulheres a se fortalecerem e a aceitação da amamentação como prática natural e saudável”, acredita Gabriela Zanella

Posição das Catarinas sobre censura recente no Facebook


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Primeiro portal de notícias feminista do país será lançado em Florianópolis







O primeiro portal de notícias do Brasil voltado à abordagem de gênero, feminismos e direitos humanos está prestes a ser lançado. Financiado coletivamente na plataforma Catarse, o Portal Catarinas entra na rede a partir do dia 28 de julho, uma quinta-feira, quando será oficialmente ​​apresentado ao público na Fundação Cultural Badesc, no centro de Florianópolis/SC. Acesse o evento.

Cobertura do ato "Por todas Elas"
O evento começa às 19h e tem como atrações as cantoras Dandara Manoela e Renata Swoboda, que fazem uma apresentação de voz e violão​;​ e o Coletivo Nega - Negras Experimentações Grupo de Artes, com intervenções artísticas do espetáculo Preta-à-Porte​r​Na oportunidade, a cantora Renata Swoboda vai lançar uma música inédita com letra da escritora Clara Baccarin.

A história de Catarinas, projeto para a criação de portal de jornalismo especializado, começou a ser escrita nas atividades do “Março é Delas”, alusivas à luta histórica das mulheres por direitos, com o lançamento em 8 de março da campanha de financiamento coletivo.

Ato Março é Delas 
Foram 40 dias de campanha com o envolvimento de mais de 160 pessoas que apoiaram o projeto no Catarse e tantas outras contribuíram com sua arte, trabalho e mobilização em rede. O destaque ficou por conta do apoio de artistxs plásticxs e fotógrafxs, por meio da doação de obras, ampliando a mobilização e, consequentemente a arrecadação, com a ação “Leilão virtual Catarinas”. A arrecadação de R$ 16.985 gerou renda direta e indiretamente para cerca de 20 pessoas.

Desde a criação da página na rede social e publicação do blog somosmuitas.blogspot, Catarinas vem atuando com curadoria de informações, produção de conteúdo regional e observatório dos debates públicos sobre o tema, como se propôs no projeto inicial. Agora com o portal, a atividade toma outra dimensão. Trata-se de uma iniciativa inédita que desponta Santa Catarina no jornalismo especializado nessas temáticas. 

Segundo a jornalista Paula Guimarães, a receptividade imediata ao projeto mostra a força da demanda social por um jornalismo que promova a reflexão sobre os papéis de gênero, construídos de modo a subjugar as mulheres e o feminino. “O feminismo traz a perspectiva dos direitos humanos em várias dimensões, desnudando as camadas de opressão, social, étnica e de gênero. É uma especialidade que confronta a cadeia de privilégios daqueles que mantém a lógica patriarcal e capitalista”, afirma a jornalista.

Noite Cultural Catarinas 
A jornalista Clarissa Peixoto defende que todo jornalismo responsável deveria se pautar pela perspectiva de gênero, o que não significa comprometer a isenção e a "imparcialidade", mesmo que essa última seja objeto de controvérsias. “Catarinas faz jornalismo com perspectiva de gênero para trazer à tona temas e personagens sociais invisibilizados pelo pensamento hegemônico, presente na mídia tradicional. Buscamos o contraditório ao que chega às casas das pessoas cotidianamente”, pontua. 

​​Também integram a equipe do portal as jornalistas Ana ​Claudia ​Araujo e a estudante de Ciências Sociais, Kelly Vieira. O conselho editorial é composto por mulheres de campos de atuação diversos: Clair Castilhos, do​s debates pelos​ direitos sexuais e reprodutivos​; Cristiane Mare da Silva​, do movimento de mulheres negras; Guilhermina Ayres, da pauta LBGT; Lilian Rossi, do Programa Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde; e a antropóloga Mônica Siqueira. A mídia digital conta ainda com colunistas como Carla Salasário Ayres, doutoranda em Ciência Política, e Monique Prada da Central Única das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sexo (Cuts).



Festa de Lançamento da Campanha

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Marcha da Negritude Catarinense reúne movimentos no próximo sábado



"Existimos e Resistimos" é a mensagem da primeira Marcha da Negritude Catarinense, que ocorre no próximo sábado, dia 16, no centro de Florianópolis. A concentração começa às 9h, na escadaria da Igreja Nossa Senhora do Rosário, com músicas e cânticos das raízes africanas, em homenagem aos povos ancestrais e à diversidade cultural. Durante o percurso, manifestantes vão fazer paradas em pontos de relevância histórica ao movimento negro, com a realização de leituras e homenagens. Apresentações culturais encerram a marcha em celebração ao povo negro e sua resiliência.

“A luta por direitos é o pano de fundo que une diversas vertentes dos que lutam por igualdade no estado”, afirma a professora Liliane Bernardes, integrante do Coletivo de Mulheres Negras Pretas Desterro. Em entrevista, ela aponta para a falta de ações afirmativas e políticas de inclusão voltadas para mulheres e homens negros que tiverem seus direitos historicamente sonegados.

Registro  da primeira reunião em junho
- Quais as principais demandas dos movimentos negros atualmente em Santa Catarina?
Através dos diversos setores da política e da constituição da sociedade propagam a exclusão do negro. Considerando a falta de ações afirmativas e políticas de inclusão, a inércia em que estamos inseridos é reflexo da desigualdade social e falta de políticas debates e rodas de conversas para dialogar. Na questão cultural, a identidade do negro ainda é imposta por uma visão eurocentrada, onde não há de fato a história do sincretismo e ancestralidade do negro enquanto sujeito. Inserir a realidade dos fatos em livros didáticos é uma bandeira histórica dos militantes dos movimentos negros.

- O movimento de mulheres negras está integrado? De que forma se dá essa integração e o que as mulheres negras reivindicam nessa marcha?
As mulheres negras que apoiam esta marcha são oriundas de diversos movimentos coletivos e entidades de atuação no estado para defesa da mulher. As mulheres negras unificam nossa luta e nos unem nesta marcha.

- Como é ser negro neste estado "de brancos"? Santa Catarina é um estado racista? Como homens e mulheres negras se sentem aqui?
Ser negro em Santa Catarina é vivenciar e experenciar uma governabilidade voltada para o eurocentrismo, onde nós, mulheres e homens negros, não somos contemplados no acesso a políticas públicas. As leis que deveriam nos incluir e proteger não têm sua aplicação de fato. Santa Catarina está entre os estados que têm o maior número de vítimas de preconceito de gênero e racial, o que coincide com a tradição de sua colonização.

-  Florianópolis permite a mulheres e homens negrxs a ocupação dos espaços centrais da cidade, mobilidade, acesso às artes e cultura?
A falta de recurso é o maior obstáculo para que possamos ocupar estes espaços. Aceitamos migalhas e com elas sobrevivemos a essa invisibilidade insistente.

Jeruse Romão, presidenta do Fórum de Educação das Relações Étnico Raciais de SC (FEDERER) e as integrantes do Coletivo de Mulheres Negras Pretas em Desterro, Claudia Prado , Tatiana Américo e Liliane Bernardes
- O que essa Marcha busca despertar nas pessoas? Quais as expectativas com a ação?
A Marcha busca o  empoderamento do negro através do acesso aos direitos políticos e de exercício da cidadania. Marchamos pela diversidade cultural, liberdade religiosa, contra o genocídio do nosso povo. Marchamos para sermos vistos e termos nosso protagonismo reconhecido na história da construção deste país. Marchamos pelas portas de emprego que se fecham. Marchamos para ter direito a cultuarmos nosso sincretismo. Pelos irmãos quilombolas que resistem ao tempo e insistem em não ser esquecidos. Marchamos por que existimos e resistimos.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Lésbica sofre "estupro corretivo" em Laguna



“Vamos ver se ela é mulher mesmo?”, disse o estuprador minutos antes do crime ocorrido na madrugada do último domingo, dia 10, no bairro Magalhães, em Laguna. Por volta das 4h, a vítima de 29 anos e a namorada seguiam de carro em direção à Imbituba, depois de se divertirem em um show. Durante o trajeto, as duas discutiram e a jovem de inicial E. pediu para descer do carro. Em seguida, cinco homens passaram de carro e a abordaram na calçada com xingamentos lesbofóbicos e violência física. “Tu és um lixo. Gente como tu, não deveria existir”, disseram eles, conforme relato da namorada da vítima.

Segundo ela, os homens riam muito enquanto a insultavam. Eles se revezaram nos atos de violência: um colocou o pé no rosto dela, enquanto outros batiam, jogavam latas de cerveja e davam socos. O estupro ocorreu na sequência das agressões. Um deles cometeu o ato enquanto os outros a seguraram. “Quando eles avistaram faróis de um carro, resolveram ir embora. Saíram buzinando em comemoração”, conta a namorada.

Logo que foi liberada, E. ligou para a namorada e pediu socorro a motorista, que parou e começou a tratá-la também de forma hostil. E. pensou que seria agredida novamente. “Não encosta no meu carro. Você deve ter feito algo errado para que eles te tratassem assim”, falou ele, segundo relato. Um casal que passava viu a discussão e parou para socorrer a jovem. “Eles empurravam o cara e a protegeram até a chegada do Samu”, disse a namorada.

E. foi levada pelo Samu ao Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos, em Laguna, onde recebeu os primeiros socorros e atendimentos para prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. “O atendimento foi incrivelmente humano, nos isolaram num quarto somente para nós, com cobertor, carinho e café. O tempo todo alguém perguntava se a gente estava bem”, conta.

No hospital, relatou o que ocorreu para dois policiais chamados pelos profissionais de saúde, conforme orientação em casos de estupro. “Eles levaram um bloco na mão e só perguntaram nome, idade e se ela tinha visto os agressores. A polícia fez pouco caso. Não tratou como crime relacionado ao preconceito contra lésbicas”, afirma a namorada.

A vítima foi liberada às 12h e teve que se deslocar até o IML para fazer o exame de corpo de delito. “A delegacia estava fechada, a espera foi massacrante."

Estupro corretivo
A vítima e a namorada acreditam que foram seguidas depois do show e que o crime esteja diretamente ligado à lesbofobia. Para elas, trata-se de u​m estupro corretivo, violência sexual cometida contra lésbicas​ como castigo por ​não se comportarem conforme os padrões heteronormativos. “Se não envolvermos pessoas engajadas não vai haver investigação efetiva. Vai ser só 
mais um caso”, lamenta.

Segundo a vítima, os agressores têm no máximo 30 anos e estavam bêbados. Elas esperam que as câm​​​eras de segurança possam ajudar na identificação. Com marcas no rosto e em choque​, E. mal consegue se mexer e não dorme durante a noite. Ela pede que o casal que a socorreu entre em contato para que possa agradecer o carinho e o socorro.

Na delegacia, ninguém foi localizado ​no plantão noturno ​para falar sobre o caso.

Preconceito mata
Uma pessoa com orientação diferente da heteronormativa é morta a cada 27 horas no país, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), que produz anualmente o relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”. Só no ano de 2014 foram documentadas 326 mortes de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo nove suicídios
.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Editorial: O novo caso RBS e a naturalização do machismo

Fotos: Reprodução TVGlobo


Na semana passada, a denúncia da violência sofrida por Luíza Brunet suscitou, dentre as repercussões, a expectativa da impunidade. É recorrente o comentário de que o processo contra o agressor acusado é infrutífero, já que Lírio Albino Parisotto é bilionário, um dos homens mais ricos do mundo, o político mais endinheirado do Brasil, ​um dos maiores investidores do mercado financeiro, ​industrial petroquímico poderoso e, não menos importante, recente proprietário dos veículos de comunicação da RBS Santa Catarina.

Naturalmente, os holofotes se voltariam para um caso em que o agressor ostenta um currículo como este e a vítima é Luíza Brunet. Mesmo os veículos da RBS foram levados a noticiar o fato, ainda que com eufemismo atípico. O que chama atenção na nota divulgada pelo bilionário e repercutida pelos jornais foi o tom de surpresa. Nela, Parisotto lamenta a divulgação do que reduziu a “um fato ocorrido na intimidade”. Como se a agressão equivalesse a um copo quebrado na sua cozinha. Algo que diz respeito a ele, apenas. A denúncia de Luíza o pegou desprevenido e permitiu que se "metesse a colher" no fato que ele considerou privado.

A motivação da agressão foi ciúme, segundo relato de Luíza; álibi que também é batido e está entre os mais recorrentes entre as justificativas para os casos de agressão envolvendo cônjuges. Sempre é importante lembrar que namorados, noivos, maridos ou pessoas com quem as vítimas se relacionaram representam 67% dos agressores nos 63 mil casos denunciados à Secretaria de Políticas para as Mulheres nos primeiros dez meses do ano passado.

Lírio Parisotto desaparece no meio dessa estatística. Faz parecer que nem seria necessário contar com o escudo da sua posição social, econômica e política, trunfos caros e que muitos reservam para crimes que a sociedade considera "mais graves". Talvez, precisasse recorrer a um deles se fosse menor de idade, como o filho do antigo dono da RBS, Sérgio Sirotsky. Ao responder pela acusação no caso do estupro ocorrido há seis anos, o adolescente chegou a declarar na internet a confiança na própria impunidade. Não é possível saber se, ainda que não fosse filho de quem é, teria contado com a parcimônia do delegado que conduziu o caso: mesmo diante da confissão, o delegado afirmou não poder comprovar o estupro por que “não estava no local”.

​O fato é que a naturalização do machismo​ é reiterada todos os dias e conta com apoio transversal das esferas públicas. Talvez o poder político e econômico ​lhe sirva como blindagem ext​ra, mas Parisotto não precisa de toda a sua fortuna ou da influência ​direta que lhe prevalece. Basta contar com a conivência da cultura machista perpetuada cotidianamente também por jornais como os que mantêm colunas "sociais" onde se exibe diariamente corpos femininos seminus e tratam as mulheres como beldades, adornos e, em última instância, ​propriedade dos homens.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sócio da RBSTV SC será citado na Lei Maria da Penha por espancamento à esposa, Luiza Brunet

Foto: Caio Duran / AgNews

O empresário Lírio Albino Parisotto, político mais rico do Brasil segundo a revista americana Forbes e sócio da RBS Santa Catarina, deverá responder na Justiça pela agressão a Luiza Brunet. A denúncia da modelo e atriz foi divulgada pela imprensa nesta sexta-feira, 1º de julho.

"Lírio já estava de roupão e, segundo Luiza, partiu para cima dela, ofendendo-a verbalmente. Logo depois, deu um soco em seu olho, seguido de chutes. Luiza diz que ele a derrubou no sofá e a imobilizou violentamente até quebrar quatro costelas dela", escreveu a jornalista Ana Claudia Guimarães em matéria publicada no blog do colunista do jornal O Globo, Ancelmo Góis.

Embora a agressão tenha ocorrido nos Estados Unidos, o empresário deve responder ao processo pela Justiça de São Paulo, onde tem residência fixa. A apuração do caso, segundo o advogado da atriz, será apurado pela Promotoria da Vara da Violência Doméstica do Ministério Público.

Parisotto é dono de uma fortuna avaliada em US$ 1,1 bilhão e tem diversas propriedades em Santa Catarina, além de ter arrematado em 2016 as operações do grupo RBS no Estado. Gaúcho, o bilionário é industrial na zona franca de Manaus e suplente de senador pelo PMDB no Amazonas. Em nota, ele lamentou a divulgação do que chamou de "apenas uma versão de um fato ocorrido na intimidade". No entanto, não aproveitou a oportunidade para se explicar, deixando o esclarecimento para "o momento e as esferas legais apropriadas".

O caso trouxe à luz a violência doméstica cotidiana no Brasil. Apenas nos primeiros dez meses do ano passado, 63.069 brasileiras denunciaram situações de violência através do número 180, disponibilizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, o que significa que a cada sete minutos uma mulher denuncia a violência no Brasil. "Eu criei coragem, perdi o medo e a vergonha por causa da situação que nós, mulheres, vivemos no Brasil", disse Luíza Brunet à jornalista.